Leila Rego » Blog



O tal relacionamento perfeito

10 de janeiro de 2017


Houve uma época em que eu era obcecada por ter um relacionamento perfeito para chamar de meu. Queria que todos os dias da minha vida fossem alegres, fantásticos, inesquecíveis. Queria que a emoção fosse diária. Desejava um disparar eterno dentro do peito, pernas bambas constantemente. Quanta ilusão! Apesar de saber que relacionamentos perfeitos só existem nos filmes e livros, eu estava determinada a criar um para mim.

O resultado, claro, não poderia ser outro: me decepcionei, me iludi e sofri horrores. Não por culpa de ninguém, por minha causa mesmo. Não eram eles que estavam errados, eram minhas expectativas que não se encaixavam com a nossa realidade.
Porém, só porque meus antigos relacionamentos não aconteceram da forma que eu imaginei, não quer dizer que eles não foram positivos. Sim, eles foram e trouxeram bons ensinamentos. Deixaram boas lembranças.

Quando aceitei minhas imperfeições, e parei de procurar por príncipes encantados em um mundo dominado por sapos, conheci um carinha tão cheio de defeitos quanto eu e me apaixonei. E já que eu não era nenhuma princesa, e ele um sapo interessante, não deixei que minha mente sonhadora me boicotasse novamente e me dei uma nova chance.

No início, nosso relacionamento não foi uma comédia romântica estrelada por Jennifer Aniston e Gerard Buttler, com trilha sonora do Coldplay. Nossos defeitos e diferenças nos testavam diariamente. E com a chegada da rotina e dos filhos, a coisa foi ficando instável e a gente passou a caminhar em uma corda bamba, à medida que as dificuldades iam surgindo. Mas a boa notícia é: a gente muda tanto e o tempo todo, que fomos aprendendo um com o outro. Aprendi que as dificuldades vai nos moldando e nos força a evoluir como pessoas. Que bom!
Dez anos depois, posso dizer que estamos vivendo nosso melhor momento. Porque nosso casamento é baseado em nossas reais expectativas. Eu não espero do meu sapo aquilo que eu gostaria na minha fantasia de princesa. E vice e versa. Eu espero somente aquilo que ele pode me dar e, para mim é o suficiente. Eu sou feliz com o que eu tenho, com o que já construí e com o que sou. Ele apenas me completa. Tão simples assim.

Porque no final das contas, a felicidade sempre esteve, e sempre estará, dentro de mim, e não nele. Seguimos vivendo nossos dias, aprendendo com as diferenças, trabalhando a paciência, a tolerância e aceitando que ninguém é perfeito. Finalmente, estamos remando o mesmo barco.

Livro: O que toda mulher inteligente deve saber – Steven Carter e Julia Sokol
Música: Do seu lado – Nando Reis

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